domingo, 20 de dezembro de 2009

Do que se sente de repente


"Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
Sol girassol e meus olhos abertos pra outra emoção
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar
Vento de maio rainha dos raios de sol
Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar"

Hoje eu acordei romantica, mas um pouco sem passado.
É cafona, mas é verdade

Reza a lenda que eu vou passar o ano novo acampada em um lugar sem água, sem luz, sem lenço e sem documento a 40 minutos de barco de Paraty.

sábado, 7 de novembro de 2009

O lugar das coisas


No baralho tem a turma de paus, copas, ouros e espadas. Sempre achei a galera de espadas um pessoal calado e encrenqueiro que me fazem pensar em marinheiros ou espartanos. O pessoal de ouros gosta de acumular mais do que deveria, e a imagem que eles produzem é bem próxima aos anões, ou mesmo os porcos do livro de Orwell, exploram para acumular capital.
O pessoal de copas é o mais fútil, recordam Oxum e algumas meninas choronas, mas o mais triste de todos é o pessoal de paus, parecem peões de fazenda, muito trabalho e pouco dinheiro.
E o curinga.

Detestava o curinga. Canastra vale menos com ele, não harmoniza com as outras cartas no jogo, deixava tudo feio e sujo.

Mas eu também não gostaria de participar dos outros grupos... Talvez espadas, eu sempre tive mais facilidade em fazer jogo com espadas. Cartas de copas também são constantes, talvez eu fosse de alguns destes dois grupos, porque paus e ouros apodrecem na minha mão, mas não completam jogo. Parece maldição.

Passei um tempão tentando descobrir qual dos dois grupos eu pertencia. Conclui que eu tinha muita coisa em comum com os quatro grupos e não com apenas dois. E dai? Todo mundo tem relação com estes quatro grupos e com outros milhares de grupos espalhados pelo mundo. Isto não vale nada.

Finalmente eu assumi que, no final das contas, eu sou o coringa. Não gostei muito, primeiro porque ele emporcalha tudo, depois porque é meio senso comum definir-se como diferente, e senso comum é coisa do pessoal de copas. Pensamento circular.

Não consigo ficar muito tempo em um lugar, não consigo “deixar as coisas como são”, não consigo fingir que não vi, só porque é mais confortável. Ou seja, eu emporcalho tudo.

Eu só fiz as pazes comigo mesmo quando eu percebi que na verdade, somos todos curingas.

Todo mundo tem alguma relação com os quatro naipes e vendo assim, não tem valor mesmo, as coisas só se ajeitam quando você percebe que todo mundo, na verdade, se esforça muito para ser de qualquer um dos quatro grupos, não importa qual.

Ninguém gosta de emporcalhar as coisas, por mais que seja da sua natureza.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Carne de sol


Fui e voltei.
Não deu tempo para nada, só para ir, ver e voltar.
É muito diferente daqui, encontrei mais coisas em comum na Suécia do que no Recife, só não tive tempo para decidir se isto é bom ou não.
Mas eu fiquei contrangida e até com um pouquinho de inveja... A calma e o respeito ao tempo, sei lá, posso estar falando besteira.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O dia em que eu perdi o interesse por você


To irritada e frustrada.
Frustrada porque eu me sinto presa num circulo vicioso e cansativo.
Quero sair e tomar um golpe de vento gelado no rosto, mas tudo o que eu consigo é uma conversa morna, cheia de firulas e sem sentido.
Isso consome a alma de qualquer um. As coisas não precisavam ser eternas, elas poderiam durar exatos 15 minutos, desde que fossem 15 minutos de "TUDO AO MESMO TEMPO E AGORA"
O que as pessoas esperam? Do que se protegem? As poucas pessoas que me ocuparam por mais de 3 meses, já começaram sem ensaio, sem claquete e, principalmente, sem punhetação.
Eu sei que nada dura e ninguém é tão importante, não é possivel que isto seja um segredo dos monges tibetanos.
Acho que é por isso que o mundo anda tão desinteressante, todo mundo se acha raro e especial.

sábado, 11 de julho de 2009

céu cinza


To no maior tédio.
Acho que é uma mistura de estafa com vergonha.
Não, não pode ser isso... Eu sempre estou estafada e com vergonha de alguma coisa que eu fiz.
Sei lá, acho que eu não tenho profundidade para me avaliar, mas que a sensação é real, isso é.
Queria mandar no tempo, determinar quando deve passar rápido e quando deve passar lentamente, odeio "preparação" porque gasto uma energia enorme e nem aproveito a "realização" e quando eu caio em mim, já estou na "desprodução". Tudo muito errado.

domingo, 28 de junho de 2009

O pensamento nosso de cada dia


Todo mundo é uma mistura do seu pensamento gordo, com o seu pensamento sexy, pensamento feliz, junky, etc. Todos intercalados com oscilações entres a mais profunda escrotidão e a mais absoluta generosidade.
No final das contas, você soma mais histórias em que fez papel de palhaço e se comportou como um verdadeiro asno, do que boas lembranças. Não há cegos e velhinhas que deixem o placar empatado. Você sempre perde.
Eu acho que o problema está em administrar quem você acha que é, quem você é de fato e o que as pessoas acham de você.
Não há consenso.
No caso de empate, em geral a opinião da maioria vence. Ou seja, vc sempre está errado.

Hoje, enquanto eu fugia do meu pensamento gordo, encarnado pela insuperável Wilza Carla eu me deparei com o meu pensamento Junkie que é a personificação da Heleninha Hoitman.

A diversão do dia foi me achar em icones. Agora, na boa, tem que ser muito ingenua para misturar tudo isso e ainda achar que vai dar certo.

domingo, 14 de junho de 2009

No final, só o nosso time é eterno

Cortei uma franja hoje. Eu não, a cabeleireira.
Depois de mais de dez anos com o mesmo corte de cabelo reolvi mudar.
A doida, tinha prometido passar aqui na quinta, mas chegou freguesa para pintar, alisar e cortar na sua casa. Por conta própria desmarcou e marcou no Domingo. Acatei. O que eu podia fazer?
Da outra vez ela estava acompanhada da filha, uma fofinha cheia de opinião e vontade.
Hoje veio só, daqui ia para o Taboão encontrar a família para uma reza programada com o pastor da congregação.
Ela estava toda eufórica, porque o sobrinho havia sido contratado pelo Corinthians. Ela me contou que o sobrinho era negro e gêmeo de um menino loiro; ele nasceu mirrado e o irmão forte e saudável. A mãe passou a infância dele levando para médicos, benzedeiras e nutricionistas para ver se ele crescia. Ele sempre foi louco por futebol, diferente do irmão que gostava mesmo de Tv e video game. O unico defeito era ser saopaulino. Cresceu numa familia de corinthianos roxos, mas virou saopaulino. Eu rolei de rir.
Tirou foto com o fenômeno? Beija o simbolo quando entra no estádio?
Tô vingada. Por mim, pode ficar milionário jogando pelo timão, desde que beije o simbolo toda vez que entrar no estádio.
Ela foi para a sua reza e eu fiquei com a minha franja e um empate com o Goiás.
Fui para o espelho treinar caras e bocas com o novo penteado, mas não deu muito certo.
Me sinto usando peruca e dependendo do âgulo parece corte de atriz mexicana, saca aquelas franjas redondas?Pois então. Tá assim.
Por outro lado, estou aliviada porque não tô parecendo uma paquita da terceira idade, nem retardada como a Xuxa. Desde pequena tenho pavor de parecer a Xuxa. Acho ela bonitona e coisa e tal, mas ela é muito constrangedora. Quer dizer, eu me sentiria mal em ser a Xuxa... Trocar o s pelo x, acenar feliz para o nada, chamar todo mundo de baiXXinho... acho bem constrangedor na verdade.
Minha franja é outra, querida.
Minha franja e meu time, diga-se de passagem.

domingo, 7 de junho de 2009

Dia de todos os mortos

Foram duas decepções este mês.
Quando você fala decepção, neguinho pensa que você tomou um fora, nada disso, foi pior.
Duas não, três.
Decepção é se apaixonar por alguma coisa e quando vc olha mais de perto vê que não é nada daquilo. Neste momento, ante o vazio da existência, eu começo a pensar em trabalho.
Não é possivel que eu estou certa, eu não quero estar certa.
Eu morro junto com cada decepção que eu mato, cada pessoa descartada leva um pedaço de mim embora.
Acho que no fundo eu queria casar e ter filhos, assitir novelas e o jornal nacional, mas como eu sou metida à besta fico em busca da batida perfeita.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

vortex


Mas nem precisa passar muito tempo para reparar que a única coisa que dura mesmo são os dedos. Quando você se dá conta, as flores foram para o lixo e o telefone que toca atende por outro nome.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tímida e espalhafatosa


Prego o respeito à diversidade, tolerância ao ignorantes, consideração ao idoso, atenção à infância. Incentivo o trabalho voluntário, em equipe e a doação de orgãos. Repudio a guerra, o ódio, o egoísmo. Sofro com a miséria mundial e a prostituição infantil. Não jogo lixo na rua e dou passagem no trânsito. Defendo a república e, apesar de não acreditar na democracia, respeito a decisão da maioria.

Porque, apesar de querer muito viver em paz, a verdade é que eu nunca relevo nada;
Desejo com todas as minhas forças ser compreendida, mas não tenho saco para ouvir ninguém;
Sou a primeira a criticar, embora ser aceita é importante para mim. Me sinto solitária, mas me recuso a dar abrigo.

Eu sou tímida, morro de vergonha de tudo, mas não tenho respeito por nada. Quero ser amada, mas desprezo e ridicularizo tudo e todos.

E, principalmente porque, por mais que eu me esforce e me ensinem que é errado, eu continuo amando os meus defeitos e repudiando as minhas qualidades.

sábado, 16 de maio de 2009

Amarelo


Tempo Amarelo*

"Amarelo é a cor das mesas,
dos bancos, dos tamboretes,
dos cabos das peixeiras,
da enxada e da estrovenga.
Do carro de boi, das cangas,
dos chapéus envelhecidos,
da charque.

Amarelo das doenças,
das remelas dos olhos dos meninos,
das feridas purulentas,
dos escarros,
das verminoses,
das hepatites, das diarréias,
dos dentes apodrecidos...

Tempo interior amarelo.
Velho, desbotado, doente."

*Renato Carneiro Campos

Eu sempre odiei o amarelo. Para mim, poucas pessoas usaram o amarelo com propriedade.
Também acho esquisito esse negócio de não gostar de uma cor.
Cor é cor.
Não gosto de amarelo, mas gosto de girassóis.
Imaginou girassol violeta?
Pior: Seguindo um sol verde
Não consigo trocar a cor das coisas e por isso eu acho estranho este negócio de não gostar de uma cor.
Minha mãe gostava de amarelo e me chamava de tonta por não gostar. Dizia que era a cor da riqueza material e eu replicava que era a cor do pus, da diarreia e do catarro.
O seu caixão foi todo forrado com flores amarelas.

domingo, 3 de maio de 2009

Ficam os dedos e as flores


Eu fiquei interessada por um cara, por diversos motivos a gente não se encontrou.
Um outro resurgiu no caminho, mas não podia ser nada porque eu estava interessada naquele primeiro cara e este segundo era passado.
O tempo passou e verdade seja dita, com o segundo cara eu conversava e me sentia à vontade.
Finalmente sai com o primeiro cara, mas não foi legal porque ele não era tão divertido como o segundo cara.
Então eu sai com o segundo cara, mas quando virou uma opção, eu fiquei tensa e não me diverti, eu já havia passado situações chatas com o segundo cara num passado não tão distante.
Ai, eu dispensei o primeiro cara para sair com o segundo cara e neste dia, eu não parei de pensar no primeiro cara. Acho que foi porque eu discuti muito com o segundo cara. Para piorar, acho que eu não era a única nervosa.
Ai, para resolver, eu dei um fim no primeiro cara, expliquei que a nossa história já havia passado e fui atrás do segundo cara, dizendo que afinal de contas, talvez, ele fosse o cara.

Faz uma semana q eu falo todo dia com o primeiro cara, mas agora somos amigos e os poucos encontros com o segundo cara são para discutir.

Poderia falar do terceiro e do quarto cara, ou dos dois que me rondam, mas eu to muito triste para isso, porque no fundo eu só queria encontrar o verdeiro cara.

domingo, 19 de abril de 2009

Jusqu'ici tout va bien



"É a história de um homem que cai de um prédio de 50 andares. O cara, durante a queda, repete sem parar, para se reconfortar: Até aqui está tudo bem, até aqui esta tudo bem, até aqui está tudo bem. Mas o importante não é a queda, é a aterrisagem."



Eu estou em queda livre já faz uns anos, "até aqui está tudo bem" parece um mantra diário condizente com a insanidade da minha vida. Não há claquete e é tudo no improviso, as vezes eu acerto, na maioria eu erro. Me imponho no berro e sofro com isso, sem parar e sem pensar eu ando sempre em frente, não sei muito bem para onde eu estou indo, mas eu sei que nada me detém, também não sei muito bem o que eu quero, só sei que quero vorazmente.

Como eu sei que a queda não é importante, eu continuo caindo e repetindo para mim mesmo sem parar "até aqui está tudo bem, até aqui está tudo bem". Preocupe-se com a atterrisagem.

E eu continuo andando sem parar, derrubando qualquer coisa que apareça na minha frente. As vezes eu paro para tomar um ar e vejo que estou sozinha novamente, tudo bem, até aqui está tudo bem.

Novas pessoas, novos lugares, mesmo comportamento.




sábado, 11 de abril de 2009

Tudo pela metade


Eu admiro o que não presta
Eu escravizo quem eu gosto
Eu não entendo.
Eu trago o lixo para dentro
Eu abro a porta para estranhos
Eu cumprimento.
Eu quero aquilo que não tenho
Eu tenho tanto a fazer
Eu faço tudo pela metade.
Eu não não percebo.
Eu falo muito palavrão.
Eu falo muito mal.
Eu falo muito.
Eu falo mesmo.
Eu falo sem saber o que estou falando.
Eu falo muito bem.
Eu minto

*Marisa Monte e Nando Reis

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Da necessidade de se permanecer com a boca fechada


O cara que eu me apaixonei na semana passada é a minha vergonha desta semana e o cara que eu senti tédio na semana passada, mas que eu fui apaixonada na semana retrasada e a coisa mais interessante desta semana.
Agora, loucura mesmo é o que eu estou pesquisando. Tenho certeza que vai me embaraçar na próxima semana.
Constância mesmo, só com os meus desafetos.

terça-feira, 31 de março de 2009

No hay banda. No hay orquestra




"Yo estaba bien por un tiempo
volviendo a sonrire
luego anoche te vi
tu mano me tuco y el saludo de tu voz
te hable muy bien y tu sin saber que estado
llorando por tu amor
llorando por tu amor
llorando por tu amor
luego de tu adios senti todo mi dolor
sola y llorando llorando llorando
no es facil d’entender que al verte otra vez
yo este llorando
Yo que pense que te olvide
pero es verdad es la verdad
que te quiero aun mas mucho mas que ayer
dime tu que puedo hacer no me quieres ya
y siempre estare
llorando por tu amor
llorando por tu amor
tu amor se llevo todo mi corazon
y quedo llorando
llorando
llorando
llorando
llorando
llorando por tu amor"



Como é a cabeça da gente... Dentro da minha verdade eu estava fazendo uma ligação entre o Club do silencio com o clube do Harry – Afinal, todos são para os loucos. Achei que eu iria falar do silencio. Olha o que virou... Juro que o link para o Youtube chegou por intervenção divina e acabou me levando para outro vídeo: "La llorona" que me levou para Frida.
O resto fica guardado, porque eu tmb tenho vergonha.


domingo, 15 de março de 2009

Santa Clara Clareou

Foto do Sr. Fred Augusto.
Vista do lugar onde eu pretendo morrer



Acordei hj umas 9 da manhã num tremendo bom humor.
Me arrependi de não ter ido para a praia, mas esta história de banco de pneu, trabalho de sábado, cachorro, dinheiro, anfetaminas, etc... me desanima.
Eu fico impressionada com as pessoas que dizem "sacar" os outros, porque eu convivo comigo antes mesmo de aprender a falar e não tenho a menor idéia do que se passa na minha cabeça. É sério.
As coisas acontecem sem o menor controle, claro que eu tenho os meus objetivos, minhas frustrações, existe uma parte "pensante" dentro de mim, mas existe também um lado cheio de vontades e desejos que eu não faço a menor idéia.
É tão assutador como acordar 9 da manhã de um domingo feliz.
Vou ver se alguém toma café da manhã comigo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva ou não se tem sol,
ou se tem sol ou não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo dinheiro e não compro doce,
ou compro doce e não guardo dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecilia Meireles

Eu nunca gostei muito de poesia e sempre culpei a minha educação.
Simples assim: se eu gosto de ler foi porque aprendi, imagino que se algum adulto tivesse gastado algum tempo para me mostrar poesia, talvez eu não sentisse sono só de ouvir sobre o assunto.

Alguém como um professor de português.

Porque do gosto de livros o mérito é só da minha mãe.
É verdade que gosto também de algumas de Camões, que conheci por causa do vestibular.
Tá bom...

Tem Mario Quintana, Tem o Fernando Pessoa, Tem o Vinicius de Morais, Tem o (genial) Paulo Leminski,
Tem Carlos Drummond de Andrade.


Tá, tem bastante gente e tem uma pedra no caminho, mas não se trata disto...ou daquilo.

Na minha época de escola, nas aulas de português/redação (ou o nome que davam dependendo do ano ou escola), começávamos a aula lendo um texto (que depois fui estudar eram carregados de preconceito) e o professor (a) da vez era encarregado de tirar todo o interesse que ele poderia ter para só depois sermos obrigados a decorar alguma regra sem sentido.
Os textos nunca eram assinados, o que eu achava estranho... Trabalho difícil este, organizar um livro de gramática, escrever os textos para crianças, etc... Ficava com preguiça só de imaginar. Preguiça e pena, porque imaginava que os textos asssinados eram de pessoas arrogantes que todo mundo gostava e que nós seríamos obrigados a engolir. Sempre fui contra as unanimidades e a favor dos oprimidos. Viva o escritor anonimo dos livros escolares! Trabalho duro voltado para manter o interesse de crianças, estas criaturas desagradáveis que nunca entendem nada.

Bom, esta poesia da Cecilia Meireles foi apresentada numa dia chuvoso, por volta das 7:45 da manhã, num daqueles dias que você quer morrer. Não sei se eu estava na 3ª ou 4ª série, mas me lembro que estava de saco cheio de tudo, hormônios, pais, frustração e para piorar estava molhada e com a saia do uniforme, porque a minha calça estava rasgada.

Eu gostava da parte da leitura do texto, antes da professora estragar tudo e me entupir de regras sem sentido, eram alguns minutos de diversão.

Quando ela mandou abrir a página e eu vi que era poesia, quase chorei. Saco! Um dia chato pra cacete pela frente, naquela escola que eu detestava e me detestava, pais tiranos, molhada, inadequada, ainda ia ter que ler poesia? Assinada ainda!! Os céus conspiravam contra!!! Só me restava aguentar tudo silenciosamente.

Antes da professora começar a ler com a classe inteira, eu dei uma passada rápida com o olho e achei uma grande besteira. Começamos a ler todos juntos e o texto criou sentido e cresceu.
Quase chorei de emoção. Acho que havia uma certa ligação com o meu estado de espirito daquele momento e também com a minha eterna indecisão que me angustia desde o berço.

O fato é que eu fui levada para uma outra realidade, a voz da professora e da classe se tornaram um ruído abafado, eu me poupei da parte decoreba da aula e fiquei pensando sobre poesia. Naquele momento eu pensei que poesia era coisa de adulto, por isso eu não entendia e não deveria ser uma coisa tão ruim, só precisava de orientação, como tinha acontecido naquele momento. Talvez, eu tivesse um ano inteiro só de poesia.

Tô esperando até hoje.







segunda-feira, 2 de março de 2009

Banho da Dorotéia

Sempre detestei multidão e carnaval. Na verdade, nunca foi ódio, o termo correto seria desprezo. Eu ignorava o carnaval e toda aquela descontração. Sempre viajei, praias, festas, mas nada temático.
Em Boiçucanga, como em todo o litoral paulista, tem uma festa hiper tradicional, chamada de banho da Dorotéia. O banho da Dorotéia é formado por som ruim, drogas, alcool, banhas expostas, crianças remelentas, homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homem.
Ano passado eu estava de bobeira no bar do Sampaio quando a Dorotéia passou e confesso que fiquei bem curiosa.
Ironico é saber que a Santa Dorotéia, virou santa, entre outros motivos, por converter as jovens libertinas "Crista" e "Calista".
Este ano, fui para a Dorotéia. Minha tia de Santos estava por lá e me contou que a Dorotéia começou em Santos por volta de 40/50... Algum clube santista que eu não me lembro o nome começou com esta história de se travestir e pular no mar para não mudar sua preferencia sexual, mas rolava uma semana antes do carnaval. A festa se espalhou e cada cidade faz a Dorotéia em um dia do carnaval, a de Ilha Bela parece bem animada e a de Santos foi proibida.
Na boa, foi uma das melhores festas que eu participei, o final na praia com o por do sol e a multidão foi meio apoteótico e finalizado com o melhor acarajé que eu já comi.
Na verdade, este carnaval todo foi incrível. Fiz algumas coisas que fazia muito tempo que eu não fazia, por exemplo, em algum momento, no sábado a noite, me deram uma arminha de água que eu só larguei quando cheguei em São Paulo.
O que me pareceu um terrível erro. Há diversas pessoas por aqui que mereciam tomar uma esguichada na cara para deixar de ser besta.



PS - Por estas e outras eu continuo solteira.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

E o troféu paixonite da semana vai para....


...o cara que eu dispensei. Eu não sou o máximo?
Vou para a praia sozinha, minto, com amigos.

Eu acho que estou velha - Isto é oficial.

Antigamente eu nem pensaria na hipótese de trocar uma viagem com amigos por uma mais, digamos assim, íntima (nunca mais vou acertar estes acentos).
O problema é que eu estou ficando sem amigos também, anfepramonas, anfetaminas não combinam com amigos, festa, alcool, trabalho, vida.

Talvez não exista nenhum problema, é só exaustão de tanto trabalho.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O todo é maior que a soma das partes

Algumas pessoas passam pela sua vida e acabam te ensinando alguma coisa, estes dias eu fiquei pensando em como eu era antes de ser socializada e devidamente alfabetizada e o que cada pessoa contribuiu para a minha atual loucura.
Por incrível que pareça, algumas pessoas tidas como "importantes" não foram lembradas e outras que tiveram uma passagem muito rápida foram lembradas de pronto.
Em relação a namorados, casos e paixonites eu cheguei nestas conclusões:

Com o Carlos eu não aprendi nada, só perdia a minha virgindade e paciência. O Klécio me ensinou que dois cabeçudos não podem dividir o mesmo espaço, o Peixoto o que é amar, com o Paulinho eu aprendi que o amor é eterno enquanto dura, com o Fábio eu aprendi que muito ganha quem perde, com o Viola eu conheci Dostoiévski e desenvolvi a apatia e com o Leo o que é saudades.

Encontrei o Léo semana passada e enquando ele ficava atrás de mim pedindo o meu telefone eu ignorava com um sorriso no rosto.

Puro medo.

Eu só queria saber com quem foi que eu aprendi o medo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

O monstro do armário


Quando eu era criança gostava de jogar queimada. Eu quase sempre era a última, não porque eu era a mais ágil ou esperta, mas porque eu era muito miúda e discreta (sim, superei a timidez e cresci na adolescência). Quando eu dava por mim, estava sozinha e não sei como neste momento eu crescia, juro, de verdade. Não foi uma situação isolada, era sempre assim, ganhei o jogo várias vezes deste jeito: salvava as presas e mandava bola nas adversárias. Tanto que sempre era uma das primeiras a ser escolhida e lá ia eu me arrastando para o meu novo time. As professoras novas não entendiam... Tão esquisitinha e calada.
E definitivamente eu era esquisita e calada, quer dizer, dependia do ano letivo e da escola. Nunca passei mais de dois anos numa escola, com exceção do colegial. Hoje eu agradeço, mas foi difícil, em um ano eu era a "bonitona" da escola, ou a "inteligente", no outro eu era a "execrada". Antes de chegar na 7ª série eu já sabia quem eu era e que a opinião alheia não valia porcaria nenhuma, entendi que a massa é despersonalizada e segue algumas pessoas. A unica coisa que eu realmente aprendi foi nunca maltratar os mais fracos, doi muito.
Lógico que me tornei uma adolescente "com personalidade" para alguns ou uma "desajustada" para outros. E na verdade, eu continuava a mesma. Mas quem iria acreditar ou entender? Eu só era livre da opinião alheia, fazia o que queria e pronto.
Ontem eu sai com o Ramones, o Ultraje a Rigor e o Sonic Youth e espantosamente não falamos mal dos outros e nem de trabalho (um pouquinho só), mas de nós mesmos.
Descobri que eu ainda continuo sendo a criança que só se diverte quando enfrenta a rapa sozinha.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Paraiso



Eu só durmo, de verdade, uma vez por ano e por acaso estou neste momento. Todo ano é assim e o engraçado é que eu não combino ou planejo, só acontece.
Mais curioso ainda é saber que está época do ano, para a astrologia, é o meu "Paraiso astral" uma espécie de compensação para o 'Inferno astral".
Resumindo: para a astrologia, a definição de paraiso para uma pessoa com a minha "posição astrológica" é o sono - Conclusão empírica.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Se tudo der errado,

eu arrumo um marido.

Parece um contra senso escrever isso justamente no "momento mais encalhado" da minha vida, mas há lógica.
Todos, TODOS, os meus amigos estão namorando, enroscados ou confusos, só eu que estou soltinha na marola... nada a vista, ou em andamento, ou mal resolvido - NADA.
Fora que eu to gordinha.
Parece que tudo está contra mim e que seria impossível arrumar um marido ou pelo menos um encosto, certo?
ERRADO
Eu ando num regime brabo e para auto incentivo coloquei uma blusinha mais justa semana passada, para marcar a minha barriga e dessistimular qualquer tentativa de rebeldia... Estava me sentindo ridícula, fui andando toda constrangida e com o som no ultimo volume numa tentativa de me descolar da realidade.
Não é que TODOS os homens na rua mexeram comigo?
Eu sei que parece o 'teste da obra" e talvez seja mesmo, mas isso é uma outra conversa.
Porque não é só na rua, eu ando numa fase boa e também não estou me gabando, eu só constatei que essa história de corpo perfeito, medidas exatas é um pouco de balela para vender revista e fazer você gastar dinheiro com analista.
Tudo muito profundo e bonito, mas eu não pretendo largar o meu regime!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A alma do negócio


Tô vindo para o trabalho com calor e uma musiquinha, quando vejo uma nota de 50 Euros na sarjeta. Euro??
Por que não dóllar, ou mesmo real? Uma nota de 100,00 reais ainda faz bonito em muito lugar, na verdade, em quase todos que eu conheço.
Bom, mas era Euro. Era falsa também, estava na cara, mas não me contive: voltei, abaixei e peguei a nota, já rindo do que antecederia. As pessoas na rua me olharam com certa perplexidade, quando eu fazia essas coisas aos 15 anos passava batido, mas aos 35?
Deve ser louca. Fora que o vestido da ocasião era um pouco mais caro do que o normal.
Um homem abriu espaço para eu pegar a notinha, o bar ao lado silenciou e ao levantar dei de cara com uma mulher mau humorada que esboçou um sorriso quando me viu parar o mundo para pegar uma notinha falsa.
Inacreditável!
Estava escrito, discretamente, "buscai primeiro o reino de Deus", "quanto vale a sua alma?" e no verso, alguns versículos de Lucas.
E no final havia uma questão de múltipla escolha:

Gostaria de aceitar Jesus, como seu salvador pessoal?
[ ] sim
[ ] não

Nem vou dar a minha opinião, cada um que construa a sua.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Robótica


Acabei de fazer o meu twitter.
Orkut, facebook, blog, e-mail, msn, outlook.
Sem falar no trabalho. No começo eu parecia taxista, não saia do carro e surtava no trânsito (ainda tem acento??), hoje em dia eu mal abro a boca, as vezes eu estouro em uma gargalhada para assustar os meus coleguinhas calados e reprovadores. O mundo foi resumido a uma rotina bancária, qualquer trabalho é executado da mesma forma: em silêncio (ainda tem acento?) e em frente ao computador.
Ando até fazendo amiguinho virtual. Eu resisti bravamente, como fazer amizade num ambiente tão estéril como esse? Sempre falam: não dá para confiar... Ué. Quando dá para confiar? E qual é o problema em desconfiar ou confiar? O resultado não vai mudar.
Mentira? ahahahahaha - Todo mundo mente, uns mais outros mais ainda.
Enfim, não é sobre isso que eu ia falar (pra variar perdi o rumo) é sobre o tempo que eu ando gastando na frente do computador.
Acho que é por isso que eu ando cansada, além das intermináveis conversas, textos, joguinhos, e-mails eu ainda continuo com o mesmo ritmo da minha vida normal: cheia de trabalho e amigos físicos (detesto o termo "real", vida "real", amigo "real" - tudo é real!). Talvez aconteça comigo o que acontece com a maioria das pessoas que se aventuram no mundinho digital: em silêncio (ainda tem acento?) e em frente ao computador.