sábado, 27 de setembro de 2008

Orangotango de tanga no tango

Adoro começar a escrever sem ter a menor idéia do que eu vou falar...
As vezes eu faço isso. Escrevo, fico com vergonha do meu egoísmo e apago tudo.

ACABEI DE APAGAR TUDO

A verdade é que eu sou feliz.
Feliz pra cacete, mas como eu acho que sou feliz por pouco, acabo com vergonha e arrumando desculpas para sofrer.

Parei de escrever e sai com a prima, conversamos numa situação pra lá de inusitada, depois fui para a casa do favela, peguei a Taísa, só não aguentei chegar na festa da Ingrid - Passei mal.

A Ingrid, a Érica e mais uns me ligaram de madrugada, mas só via agora pouco (já tô ligando) - Capotei mesmo.

O Fato é o seguinte, ontem não aconteceu nada demais, mas foi bom. No final das contas eu acho que viver é como sexo, até quando é ruim é bom.

Tenho saúde e amigos (os melhores), nasci na casa mais estranha do universo, conheci as pessoas mais bizarras do planeta, fui nas festas mais estranhas da Terra, li os livros mais nonsenses da galáctica, namorei marcianos e terráqueos, contei histórias, menti, ri, chorei, fiquei com raiva, perdoei, fui perdoada, passei de ano, tomei chuva e fora, andei de bicicleta com sol, derrubei sorvete e ganhei outro, perdi aposta, dei rasteira, usei drogas, parei de fumar, tive um derrame, vi a virada do milênio e ganho a vida trabalhando com cinema.

Na boa, o que mais eu posso querer?

Qualquer um que não seja eu pode falar "bela porcaria" e no fundo eu sei que é uma bela porcaria, mas eu gosto, eu escolhi.

sábado, 20 de setembro de 2008

Alphaville

* Não existe essa cena, são dois momentos do filme... fiz sem querer, mas gostei

Eu tenho uma festa hoje. Tá, sempre há festas e amigos e cerveja e todas essas coisas... Não é sobre disso o post. É sobre eu acordar MEGA pilhada porque eu tinha um milhão de coisas para fazer antes de anoitecer. Como se a festa fosse uma reunião de trabalho.

Fiquei com vergonha de ser eu. Deve ser muito chato conversar comigo se não for sobre trabalho.

Geralmente eu evito de escrever sobre coisas mais sérias, primeiro porque elas são chatas até para pensar, segundo porque só amigos e conhecidos aparecem por aqui e eles já sabem a minha vida (geralmente mais do que eu) e depois eu mudo tanto de opinião que não posso fazer nada muito definitivo, acabo usando o espaço para surtar, mas hoje o surto é pessoal.

Voltando a este surto: eu sou chata pra cacete. Juro que não era, mas virei. Eu estou me sentindo uma bibliotecária que precisa organizar uma vida inteira.

Amigo dos dias pares?
Por favor rapazinho, coloque-os na prateleira 3 no corredor 5 COM CUIDADO, sim?

Festa?
Figurino "sedutora 4", melhor "eficiente 8"

Aniversário de quem?
Fulano ganha bombons, sicrano apenas parabéns

Eu achei que conversando com pessoas diferentes eu melhoraria... mas nada.

Antes de tudo, tenho que admitir que a conversa não rola, o cara te trata como se você fosse uma alienígena (tá eu sei que é divertido, mas só quando você não se envolve), depois ele tem toda uma vida esquematizada: geralmente acorda às 8 da manhã (ele lutou a vida inteira para isso), pratica golfe 3 vezes por semana, natação, só bebe aos sábados, possui poucos e bons amigos (que preguiça!), não se dá bem com a ex-mulher, só viaja se for planejado, tem medo de atrapalhar, se preocupa com a opinião dos vizinhos, não toma chuva, nem pede sobremesa, dá passagem aos mais velhos, não grita, não comete loucura, nunca fica triste, nunca se sente sozinho, é tão polido e bem educado que nem na morte vai incomodar alguém.

De novo aconteceu isso... Fui falar mal dos outros e acabei falando de mim mesma... Talvez, como ele, eu quero alguma coisa pronta, fechada no meu desejo. o único problema é que ele queria a companhia número 7 e eu a companhia número 4.

Porque afinal de contas...
Antes de tudo, tenho que admitir que a conversa não rola, trato o cara como se ele fosse um alienígena (tá eu sei que é divertido, mas só quando você não se envolve), depois eu tenho uma vida toda esquematizada: geralmente acordo quando quero (lutei a vida inteira para isso), não pratica golfe 3 vezes por semana, nem natação, só não bebo aos sábados, possuo bastante e nem tão bons amigos (que preguiça!), não me dou com o ex-marido, só viajo se for de improviso, tenho medo de atrapalhar, me preocupa a opinião dos vizinhos, não tomo chuva, nem peço sobremesa, dou passagem aos mais velhos, grito, só faço loucura, sempre fico triste, sempre me sinto sozinha, não sou muito polida e nem bem educada e acho que na morte vou incomodar.



Péssimo, né?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ainda sobre gangues...

Por exemplo, eu não me incomodaria em ser o "Mr Pink"...

variações sobre o nada



Consegui ficar um dia em casa, sem ninguém, sozinha... já que irmã não vale.

Detestava ficar sozinha, detestava tanto que acabei construindo a minha vida nessa loucura só para não ter que pensar em nada. Um dia, bem lá atrás, decidi que cada dia seria um novo dia. Descanso na morte.

Estava meio doente então nem trabalhar eu fui... mentira, não consigo ficar sem trabalhar, mas é outro esquema em casa... é verdade também que a Tia Baby passou por aqui, que por si só é um trio elétrico. Coisa mais linda. Linda e louca.

Só sai mesmo para jantar o meu japonês diário.

Me acabei na internet, vasculhei a vida de todo mundo. Tem dias que vc vasculha a vida dos desafetos, mas hj fui atrás das pessoas que interessam. Decidi que seria um dia instrutivo e não divertido.

A internet não trouxe nada de novo ou interessante... já ia subir para ler algum livro ou pelo menos fazer uma máscara para ver se resolvo o drama das espinhas remanescentes do festival, quando eu ouço ao fundo uma conversa novelística... Juro que salvou o meu dia.

"- Perseguida por uma gangue internacional, perigosissíma"

Eu fiquei pensando como seria fazer parte de uma gangue internacional perigosissíma.

"Cara, não mexe comigo... faço parte de uma gangue internacional perigosíssima" ou ainda

"Flanelinha, se você tem amor a sua vida não toque nesse carro. Faço parte de uma gangue internacional perigosissima"

"Se você me abandonar não posso garantir o seu futuro... Afinal faço parte de uma gangue internacional perigosissima"

Imaginou? Fila de banco, balconista desagradável, taxa bancária, trânsito, burocracia, comida requentada, cantada barata... trocaria todos os meus problemas por apenas um: A Polícia.

Acho uma troca justa, dá para pensar.

O problema é que eu não conheço nenhuma gangue internacional perigosissima... talvez os meus problemas poderiam ser resolvidos por uma gangue nacional (desde que perigosíssima), bem da verdade acho que até mesmo uma municipal perigosa serviria.

Os que eu conheço, ou vejo por ai... tentando me assaltar, estão mais deseperados do que eu. Transformaram as suas vidas em uma incrível e interminável montanha russa, porque como eu, não querem pensar em seus problemas.

Triste descobrir isso, né?

Devia ter subido e feito a porcaria da máscara.