sábado, 4 de dezembro de 2010

O Dia em que a terra parou


O ônibus finalmente chegou a São Paulo e eu achei que os meus ouvidos não seriam mais agredidos com tanta besteira. Depois do "Riviêra", da questão "político/gestor" e as propostas mirabolantes para a previdência pública fez-se um silencio mais do que bem-vindo.
Ledo engano, era só uma pausa para o gran finale inspirado pela imagem do Tietê, o maior símbolo da relação homem e natureza.
Motorista e passageiro observam o rio, em toda a sua imensidão e imundice.
- Deviam canalizar isto de uma vez por todas.
- Dava para fazer mais três pistas.
Pausa.
- O Maluf propôs isto
Pausa.
- O Maluf se ferrou com a história do Pita.
Pausa.
- Mas ele é um cara de colhão, fala o que todo mundo quer falar e faz o que o povo quer. (neste momento os olhos do passageiro buscam os meus para receber alguma aprovação, eu só olho para a janela oposta)
- Você viu que coisa mais triste o velório do Pita? Não tinha quase ninguém.
- Ele acabou com o Maluf.

Somos interrompidos pela sirene policial que transporta presos.
- Pra que tanta pressa?
- Se eu fosse policial fingia que deixava fugir, só para meter bala nas costas desses vagabundos.
- Bando de safado vivendo as custas do povo.
- Sabe que eu leio muito? (foi o mantra da viagem) Cada um desses presos custa em média, R$4.073,00 para o governo por mês. Ai você faz as contas. Um café da manhã é um pingado e um pão com manteiga, uma quentinha no almoço e outra o final do dia. Po, tem gente levando a sua parte. Tão roubando.
- Bando de safados vivendo as custas do povo.

Na saída da rodoviária, eu consegui esboçar um sorriso e desejar boa sorte.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O dia em que os burocratas ganharam a minha simpatia


Eu ando meio oca, não tem outra explicação.
To com tanta coisa para fazer que fiquei até meio sem rumo, as vezes eu acho que vou passar a vida resolvendo as coisas para poder viver. As obrigações do cotidiano vão te sufocando de uma tal maneira, que chega uma hora que você vive só para isto. É praticamente como o governo: uma máquina que foi criada para administrar e melhorar as relações sociais acaba se tornando tão pesada que no final a sociedade tem que trabalhar para administrar e melhorá-la. É o famoso, seria engraçado se não fosse trágico.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dia internacional do esperto



Hoje foi complicado. Hoje não, a semana toda.
Parece que as pessoas não entendem que um bom negócio só é bom, quando é bom para ambas as partes.
Eu acho que a arte de negociar é encontrar este ponto de equilibrio, claro que é impossível ser bom sempre, mas cabe as pessoas a consciencia de cederem em algum momento.
Perdi hoje? Ganho na próxima e assim vai.
Acontece que esta semana eu vi a "lei de Gerson". Terminho errado também, porque
não foram só os brasileiros que mostraram este lado.
Definivamente, a gringolandia não é mais a mesma.
O pior de todos foram os canadenses. Me obrigaram a gastar um tempo enorme para convence-los de que eu não sou estúpida e que não pretendia tratá-los como colonizadores. Mesmo porque dentro da minha diversificada arvore genealógica não aparece o mais insignificante traço de DNA que compõe aquele povo.
Se a história fosse boa só para mim, ainda daria para justificar o comportamento, mas quando você sabe que a história toda é boa para eles também, bate um desanimo.
Eu quase podia visualizar a moça mandando o e-mail para logo em seguinda saltar da mesa, cheia de felicidade e orgulhosa de si mesma, porque havia "proposto um negócio super rentável para a firma"
- Flor, seguinte, se não for bom para mim também, eu não movo uma palha.
Ai toca receber e-mail da moça, tentando me convencer que é bom pra mim também.
- Ahãm
Ela foi tão estupida que gastou um tempo enorme tentando me convencer de que era bom para mim. Se ela fosse boa mesmo, reavaliaria a proposta e só depois voltaria a conversar comigo. Gastou um tempo enorme para nada. Mas vai explicar... Gente esperta só enxerga o umbigo.
Eu não tenho paciencia para evasiva. Acho que um dos traços de personalidade que mais me altera. Primeiro porque a pessoa evasiva, parte do presuposto de que a outra pessoa é estupida, segundo porque o evasivo realmente se acha tão inteligente ao ponto de tapear a outra parte com frases desencontradas. Acho que os evasivos se sentem como Camões, no caso desta moça, como Shakespeare.
- Ahãm
Quer ou não quer? Não quer? Tem quem quer!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Tipo, Mata Hari



E é bem Mata Hari mesmo, porque como ela, não tenho a menor idéia do que eu estou fazendo, mas estou fazendo. Mata Hari era antes de tudo, uma doida. Pelo menos está sempre foi a minha impressão.
Ela precisava sobreviver e criar dois filhos. Gostava de alguns luxos e, sem pensar muito, foi cuidar da vida dela. Esta história de guerra, patriotismo, informação ou contra informação não significavam muito para ela. Ela tinha acesso à algumas informações, precisava de grana para morar bem, comprar roupas caras e jóias. Porque raios ela não venderia? E mesmo depois, quando tudo deu errado, ela continuou sem compreender muito bem.
Eu to fazendo, seja lá o que for, eu to fazendo. Só não quero me dar mal.



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ponderação sobre as ponderações


O problema de ficar muito tempo sem escrever é que você perde a capacidade de organizar as idéias de uma maneira clara.
O caminho de Santiago acabou trazendo mais dúvidas do que respostas, o que eu acho um saco. To de saco cheio de se compelida a questionar tudo o tempo todo. Esses dias me deu saudades da minha adolescencia, as regras eram claras e a vida simplificada.
Tinha horário para chegar em casa, tinha que passar de ano, fulano era meu amigo, sicrano um chato. Era fácil e eu não me incomodava de ficar de castigo de vez enquando.
Agora quando você é adulto, as coisas passam a ter "desdobramentos". Palavra besta, para situações e ponderações idiotas.

domingo, 20 de junho de 2010

Fisterra


Eu estava sentada numa varanda com Zoli, fumando um cigarro e olhando o mar e as gaivotas do fim do mundo.
Havia um casal de gaivotas com problemas. Não conseguiam decidir-se pelo melhor lugar para fazer o ninho, outros pretendentes que não compreendiam um "não", outros casais querendo seu lugar ao sol, comida, conta de água, luz, aluguel, etc, etc.
Sei que é tolo, mas eles ganharam a minha simpatia. A vida é difícil e complicada.
Ele riu e disse que eu estava colocando comportamento humanho em gaivota.
Podia ser verdade, naquele momento eu ainda não havia lido nada sobre as gaivotas, mas eu sabia que as duas estavam envolvidas, porque uma empolerava e a outra vinha com lixo para começar a fazer o ninho, dai ela se levantava e a outra largava o entulho e começava a bica-la, tentavam novamente e por ai ia. No fim do dia uma outra gaivota veio ameaçar a paz, insinuava-se para uma e a outra atacava. Eram incansáveis.
Eu só comecei a prestar a atenção nelas porque era impressionante a forma como voavam, lembrei do livro "Fernão Capelo Gaivota" e contei a história para ele.
No momento em que ele abriu o olho, interessado sobre o vôo perfeito, uma pena de gaivota pousou no meu colo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Com ou sem emoção?


Passagem em mãos, uns trocados no bolso e a maior ansiedade da minha vida.