
Quando eu era criança gostava de jogar queimada. Eu quase sempre era a última, não porque eu era a mais ágil ou esperta, mas porque eu era muito miúda e discreta (sim, superei a timidez e cresci na adolescência). Quando eu dava por mim, estava sozinha e não sei como neste momento eu crescia, juro, de verdade. Não foi uma situação isolada, era sempre assim, ganhei o jogo várias vezes deste jeito: salvava as presas e mandava bola nas adversárias. Tanto que sempre era uma das primeiras a ser escolhida e lá ia eu me arrastando para o meu novo time. As professoras novas não entendiam... Tão esquisitinha e calada.
E definitivamente eu era esquisita e calada, quer dizer, dependia do ano letivo e da escola. Nunca passei mais de dois anos numa escola, com exceção do colegial. Hoje eu agradeço, mas foi difícil, em um ano eu era a "bonitona" da escola, ou a "inteligente", no outro eu era a "execrada". Antes de chegar na 7ª série eu já sabia quem eu era e que a opinião alheia não valia porcaria nenhuma, entendi que a massa é despersonalizada e segue algumas pessoas. A unica coisa que eu realmente aprendi foi nunca maltratar os mais fracos, doi muito.
Lógico que me tornei uma adolescente "com personalidade" para alguns ou uma "desajustada" para outros. E na verdade, eu continuava a mesma. Mas quem iria acreditar ou entender? Eu só era livre da opinião alheia, fazia o que queria e pronto.
Ontem eu sai com o Ramones, o Ultraje a Rigor e o Sonic Youth e espantosamente não falamos mal dos outros e nem de trabalho (um pouquinho só), mas de nós mesmos.
Descobri que eu ainda continuo sendo a criança que só se diverte quando enfrenta a rapa sozinha.
2 comentários:
quando puder, o pixies ou o smashing pumpkings vai se juntar a esses papos.
rs.
Desde que o Calipso não aparareça, está tudo certo.
:)
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