sábado, 31 de janeiro de 2009

O monstro do armário


Quando eu era criança gostava de jogar queimada. Eu quase sempre era a última, não porque eu era a mais ágil ou esperta, mas porque eu era muito miúda e discreta (sim, superei a timidez e cresci na adolescência). Quando eu dava por mim, estava sozinha e não sei como neste momento eu crescia, juro, de verdade. Não foi uma situação isolada, era sempre assim, ganhei o jogo várias vezes deste jeito: salvava as presas e mandava bola nas adversárias. Tanto que sempre era uma das primeiras a ser escolhida e lá ia eu me arrastando para o meu novo time. As professoras novas não entendiam... Tão esquisitinha e calada.
E definitivamente eu era esquisita e calada, quer dizer, dependia do ano letivo e da escola. Nunca passei mais de dois anos numa escola, com exceção do colegial. Hoje eu agradeço, mas foi difícil, em um ano eu era a "bonitona" da escola, ou a "inteligente", no outro eu era a "execrada". Antes de chegar na 7ª série eu já sabia quem eu era e que a opinião alheia não valia porcaria nenhuma, entendi que a massa é despersonalizada e segue algumas pessoas. A unica coisa que eu realmente aprendi foi nunca maltratar os mais fracos, doi muito.
Lógico que me tornei uma adolescente "com personalidade" para alguns ou uma "desajustada" para outros. E na verdade, eu continuava a mesma. Mas quem iria acreditar ou entender? Eu só era livre da opinião alheia, fazia o que queria e pronto.
Ontem eu sai com o Ramones, o Ultraje a Rigor e o Sonic Youth e espantosamente não falamos mal dos outros e nem de trabalho (um pouquinho só), mas de nós mesmos.
Descobri que eu ainda continuo sendo a criança que só se diverte quando enfrenta a rapa sozinha.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Paraiso



Eu só durmo, de verdade, uma vez por ano e por acaso estou neste momento. Todo ano é assim e o engraçado é que eu não combino ou planejo, só acontece.
Mais curioso ainda é saber que está época do ano, para a astrologia, é o meu "Paraiso astral" uma espécie de compensação para o 'Inferno astral".
Resumindo: para a astrologia, a definição de paraiso para uma pessoa com a minha "posição astrológica" é o sono - Conclusão empírica.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Se tudo der errado,

eu arrumo um marido.

Parece um contra senso escrever isso justamente no "momento mais encalhado" da minha vida, mas há lógica.
Todos, TODOS, os meus amigos estão namorando, enroscados ou confusos, só eu que estou soltinha na marola... nada a vista, ou em andamento, ou mal resolvido - NADA.
Fora que eu to gordinha.
Parece que tudo está contra mim e que seria impossível arrumar um marido ou pelo menos um encosto, certo?
ERRADO
Eu ando num regime brabo e para auto incentivo coloquei uma blusinha mais justa semana passada, para marcar a minha barriga e dessistimular qualquer tentativa de rebeldia... Estava me sentindo ridícula, fui andando toda constrangida e com o som no ultimo volume numa tentativa de me descolar da realidade.
Não é que TODOS os homens na rua mexeram comigo?
Eu sei que parece o 'teste da obra" e talvez seja mesmo, mas isso é uma outra conversa.
Porque não é só na rua, eu ando numa fase boa e também não estou me gabando, eu só constatei que essa história de corpo perfeito, medidas exatas é um pouco de balela para vender revista e fazer você gastar dinheiro com analista.
Tudo muito profundo e bonito, mas eu não pretendo largar o meu regime!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A alma do negócio


Tô vindo para o trabalho com calor e uma musiquinha, quando vejo uma nota de 50 Euros na sarjeta. Euro??
Por que não dóllar, ou mesmo real? Uma nota de 100,00 reais ainda faz bonito em muito lugar, na verdade, em quase todos que eu conheço.
Bom, mas era Euro. Era falsa também, estava na cara, mas não me contive: voltei, abaixei e peguei a nota, já rindo do que antecederia. As pessoas na rua me olharam com certa perplexidade, quando eu fazia essas coisas aos 15 anos passava batido, mas aos 35?
Deve ser louca. Fora que o vestido da ocasião era um pouco mais caro do que o normal.
Um homem abriu espaço para eu pegar a notinha, o bar ao lado silenciou e ao levantar dei de cara com uma mulher mau humorada que esboçou um sorriso quando me viu parar o mundo para pegar uma notinha falsa.
Inacreditável!
Estava escrito, discretamente, "buscai primeiro o reino de Deus", "quanto vale a sua alma?" e no verso, alguns versículos de Lucas.
E no final havia uma questão de múltipla escolha:

Gostaria de aceitar Jesus, como seu salvador pessoal?
[ ] sim
[ ] não

Nem vou dar a minha opinião, cada um que construa a sua.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Robótica


Acabei de fazer o meu twitter.
Orkut, facebook, blog, e-mail, msn, outlook.
Sem falar no trabalho. No começo eu parecia taxista, não saia do carro e surtava no trânsito (ainda tem acento??), hoje em dia eu mal abro a boca, as vezes eu estouro em uma gargalhada para assustar os meus coleguinhas calados e reprovadores. O mundo foi resumido a uma rotina bancária, qualquer trabalho é executado da mesma forma: em silêncio (ainda tem acento?) e em frente ao computador.
Ando até fazendo amiguinho virtual. Eu resisti bravamente, como fazer amizade num ambiente tão estéril como esse? Sempre falam: não dá para confiar... Ué. Quando dá para confiar? E qual é o problema em desconfiar ou confiar? O resultado não vai mudar.
Mentira? ahahahahaha - Todo mundo mente, uns mais outros mais ainda.
Enfim, não é sobre isso que eu ia falar (pra variar perdi o rumo) é sobre o tempo que eu ando gastando na frente do computador.
Acho que é por isso que eu ando cansada, além das intermináveis conversas, textos, joguinhos, e-mails eu ainda continuo com o mesmo ritmo da minha vida normal: cheia de trabalho e amigos físicos (detesto o termo "real", vida "real", amigo "real" - tudo é real!). Talvez aconteça comigo o que acontece com a maioria das pessoas que se aventuram no mundinho digital: em silêncio (ainda tem acento?) e em frente ao computador.