quarta-feira, 27 de maio de 2009

vortex


Mas nem precisa passar muito tempo para reparar que a única coisa que dura mesmo são os dedos. Quando você se dá conta, as flores foram para o lixo e o telefone que toca atende por outro nome.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tímida e espalhafatosa


Prego o respeito à diversidade, tolerância ao ignorantes, consideração ao idoso, atenção à infância. Incentivo o trabalho voluntário, em equipe e a doação de orgãos. Repudio a guerra, o ódio, o egoísmo. Sofro com a miséria mundial e a prostituição infantil. Não jogo lixo na rua e dou passagem no trânsito. Defendo a república e, apesar de não acreditar na democracia, respeito a decisão da maioria.

Porque, apesar de querer muito viver em paz, a verdade é que eu nunca relevo nada;
Desejo com todas as minhas forças ser compreendida, mas não tenho saco para ouvir ninguém;
Sou a primeira a criticar, embora ser aceita é importante para mim. Me sinto solitária, mas me recuso a dar abrigo.

Eu sou tímida, morro de vergonha de tudo, mas não tenho respeito por nada. Quero ser amada, mas desprezo e ridicularizo tudo e todos.

E, principalmente porque, por mais que eu me esforce e me ensinem que é errado, eu continuo amando os meus defeitos e repudiando as minhas qualidades.

sábado, 16 de maio de 2009

Amarelo


Tempo Amarelo*

"Amarelo é a cor das mesas,
dos bancos, dos tamboretes,
dos cabos das peixeiras,
da enxada e da estrovenga.
Do carro de boi, das cangas,
dos chapéus envelhecidos,
da charque.

Amarelo das doenças,
das remelas dos olhos dos meninos,
das feridas purulentas,
dos escarros,
das verminoses,
das hepatites, das diarréias,
dos dentes apodrecidos...

Tempo interior amarelo.
Velho, desbotado, doente."

*Renato Carneiro Campos

Eu sempre odiei o amarelo. Para mim, poucas pessoas usaram o amarelo com propriedade.
Também acho esquisito esse negócio de não gostar de uma cor.
Cor é cor.
Não gosto de amarelo, mas gosto de girassóis.
Imaginou girassol violeta?
Pior: Seguindo um sol verde
Não consigo trocar a cor das coisas e por isso eu acho estranho este negócio de não gostar de uma cor.
Minha mãe gostava de amarelo e me chamava de tonta por não gostar. Dizia que era a cor da riqueza material e eu replicava que era a cor do pus, da diarreia e do catarro.
O seu caixão foi todo forrado com flores amarelas.

domingo, 3 de maio de 2009

Ficam os dedos e as flores


Eu fiquei interessada por um cara, por diversos motivos a gente não se encontrou.
Um outro resurgiu no caminho, mas não podia ser nada porque eu estava interessada naquele primeiro cara e este segundo era passado.
O tempo passou e verdade seja dita, com o segundo cara eu conversava e me sentia à vontade.
Finalmente sai com o primeiro cara, mas não foi legal porque ele não era tão divertido como o segundo cara.
Então eu sai com o segundo cara, mas quando virou uma opção, eu fiquei tensa e não me diverti, eu já havia passado situações chatas com o segundo cara num passado não tão distante.
Ai, eu dispensei o primeiro cara para sair com o segundo cara e neste dia, eu não parei de pensar no primeiro cara. Acho que foi porque eu discuti muito com o segundo cara. Para piorar, acho que eu não era a única nervosa.
Ai, para resolver, eu dei um fim no primeiro cara, expliquei que a nossa história já havia passado e fui atrás do segundo cara, dizendo que afinal de contas, talvez, ele fosse o cara.

Faz uma semana q eu falo todo dia com o primeiro cara, mas agora somos amigos e os poucos encontros com o segundo cara são para discutir.

Poderia falar do terceiro e do quarto cara, ou dos dois que me rondam, mas eu to muito triste para isso, porque no fundo eu só queria encontrar o verdeiro cara.