
Eu estava sentada numa varanda com Zoli, fumando um cigarro e olhando o mar e as gaivotas do fim do mundo.
Havia um casal de gaivotas com problemas. Não conseguiam decidir-se pelo melhor lugar para fazer o ninho, outros pretendentes que não compreendiam um "não", outros casais querendo seu lugar ao sol, comida, conta de água, luz, aluguel, etc, etc.
Sei que é tolo, mas eles ganharam a minha simpatia. A vida é difícil e complicada.
Ele riu e disse que eu estava colocando comportamento humanho em gaivota.
Podia ser verdade, naquele momento eu ainda não havia lido nada sobre as gaivotas, mas eu sabia que as duas estavam envolvidas, porque uma empolerava e a outra vinha com lixo para começar a fazer o ninho, dai ela se levantava e a outra largava o entulho e começava a bica-la, tentavam novamente e por ai ia. No fim do dia uma outra gaivota veio ameaçar a paz, insinuava-se para uma e a outra atacava. Eram incansáveis.
Eu só comecei a prestar a atenção nelas porque era impressionante a forma como voavam, lembrei do livro "Fernão Capelo Gaivota" e contei a história para ele.
No momento em que ele abriu o olho, interessado sobre o vôo perfeito, uma pena de gaivota pousou no meu colo.
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