
O ônibus finalmente chegou a São Paulo e eu achei que os meus ouvidos não seriam mais agredidos com tanta besteira. Depois do "Riviêra", da questão "político/gestor" e as propostas mirabolantes para a previdência pública fez-se um silencio mais do que bem-vindo.
Ledo engano, era só uma pausa para o gran finale inspirado pela imagem do Tietê, o maior símbolo da relação homem e natureza.
Motorista e passageiro observam o rio, em toda a sua imensidão e imundice.
- Deviam canalizar isto de uma vez por todas.
- Dava para fazer mais três pistas.
Pausa.
- O Maluf propôs isto
Pausa.
- O Maluf se ferrou com a história do Pita.
Pausa.
- Mas ele é um cara de colhão, fala o que todo mundo quer falar e faz o que o povo quer. (neste momento os olhos do passageiro buscam os meus para receber alguma aprovação, eu só olho para a janela oposta)
- Você viu que coisa mais triste o velório do Pita? Não tinha quase ninguém.
- Ele acabou com o Maluf.
Somos interrompidos pela sirene policial que transporta presos.
- Pra que tanta pressa?
- Se eu fosse policial fingia que deixava fugir, só para meter bala nas costas desses vagabundos.
- Bando de safado vivendo as custas do povo.
- Sabe que eu leio muito? (foi o mantra da viagem) Cada um desses presos custa em média, R$4.073,00 para o governo por mês. Ai você faz as contas. Um café da manhã é um pingado e um pão com manteiga, uma quentinha no almoço e outra o final do dia. Po, tem gente levando a sua parte. Tão roubando.
- Bando de safados vivendo as custas do povo.
Na saída da rodoviária, eu consegui esboçar um sorriso e desejar boa sorte.
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